Depois de cair 13% em maio, impactado pela greve dos caminhoneiros, o consumo de combustíveis voltou a se recuperar e cresceu 2,1% em junho, ante igual mês do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O aumento nas vendas não foi suficiente para anular os efeitos da crise de abastecimento provocada pela paralisação dos caminhoneiros de maio e o mercado brasileiro fechou o primeiro semestre com uma baixa de 0,5%. Historicamente atrelado ao desempenho da economia, sobretudo da indústria e do agronegócio, o consumo de diesel retomou a trajetória de alta e avançou 7,4% em junho. No acumulado da primeira metade do ano, houve um aumento de 0,8%. Já as vendas de gasolina continuaram a cair. Em junho, o consumo do combustível recuou 16,5%. No primeiro semestre, a queda acumulada foi de 12%. Esse recuo é, em parte, explicado pela perda de competitividade dos preços do derivado, frente ao etanol. As vendas do álcool hidratado registraram um crescimento de 42% em junho e de 38,4% no primeiro semestre. O avanço do consumo de etanol, contudo, não tem sido suficiente para sustentar o crescimento do mercado do Ciclo Otto (veículos leves que operam com gasolina/etanol). Tradicionalmente vinculado ao comportamento da renda familiar, o segmento fechou o primeiro semestre com uma retração de 4,2%, em volumes de gasolina equivalente. No primeiro mês pós-greve dos caminhoneiros, o consumo de gás liquefeito de petróleo (GLP) avançou 8,1%. Na primeira metade do ano, contudo, as vendas se mantiveram praticamente estáveis, com uma queda de 0,3%. Outro setor que cresceu, apesar dos impactos da paralisação de maio, foi o de aviação. Segundo dados da ANP, as vendas do querosene QAV avançaram 8,6% em junho e 7,1% no primeiro semestre. A gasolina de aviação, por sua vez, teve alta de 17,8% no mês retrasado, embora tenha fechado a primeira metade do ano com uma baixa de 1%. Já o consumo de óleo combustível, geralmente feito por termelétricas e indústria, recuou 31,4% em junho e 23,9% no primeiro semestre. O mercado de querosene iluminante, por sua vez, cresceu 52% no mês retrasado. No acumulado do ano, contudo, houve uma queda de 2,5% nos volumes vendidos. Fonte: Valor Econômico