Na guerra das maquininhas, Itaú lança meio de pagamento digital com taxa de 1% para lojista

A última vez que a tabela do IR foi reajustada foi em 2015, durante o governo Dilma Rousseff. Segundo cálculos do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), que representa os auditores fiscais, a defasagem acumulada nos últimos 22 anos é de 95,46%. Isso fez com que, na prática, cada vez menos pessoas tivessem direito à isenção de IR no país. Se a tabela fosse corrigida integralmente, o limite de isenção subiria para R$ 3.689,93.
14/05/2019 – Em mais um lance na acirrada disputa no setor de meio de pagamentos, o Itaú Unibanco lançou nesta segunda-feira feita o “Iti”, uma plataforma digital que promete ao vendedor o recebimento dos valores das vendas de forma instantânea e a uma taxa de apenas 1%. Esse percentual é bem abaixo do cobrado pelas empresas que fazem a captura de operações com cartões de crédito e débito, que já vivem um momento de “guerra das maquininhas”.
— Vamos começar com a oferta de serviços de pagamento, mas ao longo do tempo serão incorporados com serviços financeiros completos nesse desenho de arquitetura aberta – afirmou Márcio Schettini, diretor geral de varejo do Itaú Unibanco, ao comentar o lançamento do Iti.

Esse serviço de pagamento estará disponível a partir do terceiro trimestre a clientes e não clientes do banco. Após o cadastro no aplicativo, será possível fazer pagamentos por meio de boletos, cartão de crédito ou transferência bancária. Isso será possível por meio do uso de “QR Code” no próprio smartphone ou no estabelecimento comercial, a exemplo do que o Mercado Pago (do Mercado Livre) já oferece.
Do lado de quem recebe, ou seja, o lojista ou prestador de serviços, o dinheiro será disponibilizada na conta Iti de forma instantânea, independente o meio de pagamento utilizado pelo consumidor e a uma taxa de 1%. Essa taxa será mantida mesmo quando o pagamento for feito com a ajuda das maquininhas da Rede, que é a adquirente de cartões do Itaú Unibanco.

Na avaliação de Marcos Magalhães, presidente da Rede, é baixo o risco de canibalismo do Iti em relação ao serviço de adquirência de maquinas – que cobra do lojista, em média, 1,99% pelas operações de débito e 3,49% no crédito.

— Talvez nos estabelecimentos muito pequenos (fiquem só com o Iti). Mas, de forma geral, é muito mais um complemento — disse.

Conforme O GLOBO mostrou no último domingo, prestadores de serviço e varejistas investem cada vez mais em meios de pagamentos alternativos às grandes credenciadoras ligadas às instituições financeiras tradicionais, tornando-se em minibancos .
Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos, vê o lançamento da plataforma voltada para pagamentos pelo Itaú como uma forma de entrar em um segmento pouco explorado pelo banco, que é o de pequenos empreendedores, e dessa forma limitar o crescimento de empresas como a PagSeguro e o Mercado Pago, que tem maior presença nesse público.

– O Itaú Unibanco está de certa forma replicando o que os concorrentes já fazem. Agora vai entrar em um segmento que não estava – avaliou, reforçando que 47% dos pagamentos ainda são feitos com dinheiro.

Para o especialista, o Itaú sai na frente ao lançar uma proposta integrada e que a “guerra das maquininhas” deve continuar acirrada.

Próxima etapa
Operações de crédito, abertura de contas e seguros estão entre os produtos que serão ofertados pelo Iti. Segundo Schettini, o usuário poderá escolher operar com o Itaú ou acessar os serviços financeiros de outras instituições (nessa primeira fase em que só a função de pagamentos e recebimentos está disponível, será possível acrescentar cartões de quais emissores). Em uma fase seguinte, um cartão de débito ou um pré-pago dessa conta Iti deverá ser um dos primeiros serviços a ser oferecido aos usuários, visando os clientes que não querem ou não podem ter uma conta em banco, os chamados desbancarizados.

Segundo o Itaú, não haverá cobrança de taxas nas operações feitas entre usuários do Iti. Já saques dessa conta ou transferência para outros bancos estão sujeitos a uma tarifa – embora o banco garanta gratuidade até o final do ano. O objetivo é, logo no início, atingir “centenas de milhares” de estabelecimentos. Para isso, o banco está usando a própria força da Rede, que está presente em 1,3 milhão de estabelecimentos comerciais – embora a aceitação ou não dos pagamentos por meio desse novo sistema seja opcional.

Fonte: O Globo

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