FMI reduz projeção de crescimento para o Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a projeção de crescimento do Brasil para 2019 de 2,5% para 2,1%, apesar de elevar a estimativa para 2020 de 2,2% para 2,5%. Em relatório divulgado ontem com as previsões para a economia global, o FMI ressalta que a “principal prioridade” do país deve ser conter o aumento da dívida pública, assegurando ao mesmo tempo que os “gastos sociais necessários permaneçam intactos”.

Segundo a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, pesaram, na revisão para baixo este ano, a incerteza política e o adiamento de reformas. Ela lembrou ainda o fato de a atividade no Brasil ter tido um desempenho mais fraco na segunda metade de 2018, o que deixou uma herança estatística mais fraca para este ano.

Gita ressaltou a importância da aprovação da reforma da Previdência para o Brasil melhorar as perspectivas de suas contas públicas. Oya Celasun, chefe da divisão de estudos mundiais do Departamento de Pesquisa do FMI, disse esperar que a reforma seja aprovada

ainda este ano — daí a perspectiva de um crescimento um pouco melhor em 2020.

No relatório, o FMI ressalta ainda que são necessários mais ajustes, “em especial cortes na folha de pagamento do setor público”, a fim de impedir o aumento das despesas, ao mesmo tempo em que “se protegem programas sociais vitais para os vulneráveis”. Mas não cita que programas seriam.

A análise faz parte do Panorama Econômico Mundial, divulgado ontem, durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, que ocorre esta semana.

Mesmo com a redução da estimativa para 2019, a previsão do FMI ainda está ligeiramente acima do consenso do mercado, que aponta expansão de 1,97% este ano, segundo analistas consultados pelo Banco Central. Já para 2020, o mercado prevê 2,7%, contra 2,5% do Fundo.

O FMI afirmou também que o desastre em Brumadinho, Minas Gerais, terá impacto sobre a indústria de minério de ferro. O relatório aponta que os preços dos metais básicos vêm se recuperando este ano, em razão da expectativa de estímulo fiscal na China, somada a “um forte aumento nas cotações do minério de ferro devido ao desastre na barragem de Brumadinho”. O Fundo projeta alta de 2,4% em seu índice de metais básicos este ano.

DESACELERAÇÃO GLOBAL

O crescimento global este ano também será menor do que o previsto anteriormente. O FMI reduziu sua projeção de 3,5% para 3,3%. É a terceira revisão em seis meses. Para 2020, a previsão foi mantida em 3,6%.

“O nosso novo Panorama Econômico Mundial projeta uma desaceleração do crescimento em 2019 para 70% da economia global”, afirmou Gita em post no blog do FMI. Para a América Latina, houve uma redução expressiva do crescimento esperado em 2019, de 2% para 1,4%.

Já para a Venezuela, o FMI projeta que o PIB sofrerá um tombo de 25% neste ano — em outubro, a previsão era de queda de 5% —e outros 10% em 2020, o que afeta negativamente as projeções para o PIB da região e dos emergentes. Desde 2013, a economia venezuelana encolheu 50%.

Além da forte retração econômica, o país também vive uma hiperinflação. De pouco abaixo de 1.000.000% em 2018, a expectativa do FMI é que a inflação atinja 10.000.000% neste ano e no próximo. Já a taxa de desemprego subiria de 35% para 44,3% este ano, atingindo 47,9% em 2020.
No fim do governo de Michel Temer, a expectativa era que a Petrobras poderia receber até US$ 14 bilhões. No entanto, a cifra divulgada ontem ficou em linha com o previsto pelo mercado. Em relatório na noite de segunda-feira, o Itaú BBA estimou que a Petrobras poderia receber aproximadamente US$ 10 bilhões. Já o Bradesco BBI publicou na semana passada relatório com previsão de de US$ 8 bilhões.

AÇÕES CAEM 0,89%

O acordo foi anunciado após o fechamento da Bolsa. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras caíram 0,31% e os ordinários (ONs, com direito a voto) tiveram queda de 0,89%, seguindo recuo do preço do petróleo. O barril do tipo Brent fechou em baixa de 0,69%, a US$ 70,61, após anteontem superar US$ 71, maior patamar em cinco meses.

Em fevereiro, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, já havia afirmado que não pretende usar os recursos que a estatal vai receber da União para reduzir o endividamento da companhia. O plano é usar o dinheiro para investimentos, incluindo a participação no megaleilão para conquistar mais áreas e expandir a produção.

O contrato da cessão onerosa, assinado entre a Petrobras e o governo federal em 2010, fez parte da capitalização da empresa para fazer frente aos investimentos necessários para a exploração do pré-sal. A União cedeu à Petrobras, sem licitação, o direito de explorar cinco bilhões de barris de óleo em seis blocos do pré-sal na Bacia de Santos, em 2010.

O contrato previa uma revisão quando os campos já contassem com a declaração de comercialidade, ou seja, quando houvesse mais segurança a respeito do volume de petróleo. Isso ocorreu em 2013, quando começaram as primeiras negociações entre Petrobras e União. A Petrobras saiu credora da disputa porque, entre outros fatores, o preço do barril de petróleo caiu desde que foi firmado o acordo.

Fonte: O Globo

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