FGTS e PIS/Pasep podem elevar em 50% o PIB deste ano, diz ex-secretário

O impacto da liberação de dinheiro extra do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do PIS/Pasep pode elevar em 50% o crescimento da economia neste ano.

A estimava é do economista Marcos Ferrari, um dos responsáveis pelo plano de liberação desses recursos elaborado em 2017, na gestão Michel Temer.

Na época, a equipe do antigo Ministério do Planejamento calculou um impacto de 0,61 ponto percentual no PIB (Produto Interno Bruto) do ano com a liberação de R$ 44 bilhões somente de contas inativas do FGTS.

Desta vez, Ferrari diz que é possível injetar R$ 37 bilhões na economia com parte das contas inativas, das contas ativas e também com o PIS/Pasep.

O impacto sobre o PIB seria de 0,58 ponto percentual, mais da metade do crescimento previsto para este ano pelos economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus, de 1%.

A injeção de recursos naquele ano teve impactos positivos, como redução de endividamento, queda da inadimplência e aumento do consumo, além de ajudar a sustentar a primeira alta do PIB após dois anos de recessão.

O crescimento foi de 1,1% em 2017 e em 2018, após a queda acumulada de 7,6% em 2015 e 2016.

“Os canais de transmissão dessas medidas são os mesmos de 2017. Não mudam no curto prazo. Por isso, usei um modelo bem próximo do que foi usado naquela época”, afirmou Ferrari, que era secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento em 2017.

Naquela época, foi liberado o saque de contas inativas do FGTS até dezembro de 2015. Do total disponível, sobraram R$ 4 bilhões sem serem sacados, boa parte, contas com pequenos valores.
Ferrari estima que, com os valores acumulados nos últimos três anos, os saques podem chegar a R$ 16 bilhões. O cálculo é mais conservador do que o número apresentado preliminarmente pelo Ministério da Economia, cerca de R$ 20 bilhões.

Em relação ao PIS/Pasep, o economista estima a liberação entre 40% e 60% de um saldo de R$ 22 bilhões, pois muitos beneficiários já morreram e as regras e normas operacionais dificultam o saque pelos seus herdeiros.

Dessa forma, o impacto das duas medidas ficaria em 0,429 ponto percentual (R$ 27 bilhões).

Fonte: Folha de São Paulo

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