Combustíveis e as oscilações dos preços

Dia sem imposto levou, como tem sido tradicional, milhares de motoristas aos postos de combustíveis que aderiram ao movimento para colocar – economizando – alguns litros de gasolina, diesel ou álcool nos tanques. Levantamento, tendo em vista o máximo de litros permitido aos felizes sortudos que conseguiram chegar entre as poucas dezenas que tiveram senha para ter o preço menor – mostra que a economia padrão para os automóveis com a gasolina a R$ 2,50 ficou em torno de R$ 40,00. Nada desprezível. Mas, convenhamos, ficar horas a fio em uma fila, às vezes desde a madrugada para ter essa economia, é difícil de entender. Porém, a crise generalizada do desemprego, sem reajustes de salários e vencimentos há dois ou três anos ou apenas com a correção inflacionária deve ser a explicação básica para a vontade de poupar, mesmo que pouco. O Brasil tem 55 milhões de carros em circulação, o preço do combustível importa para todos. Pagar cerca de R$ 4,50 por um litro de gasolina leva milhares, como está acontecendo e até mesmo sendo ampliado – o número dos que usam bicicletas, aplicativos de aluguel e até os agora um pouco contestados patinetes elétricos, que correm por calçadas e ciclovias em Porto Alegre, entre tantas outras cidades. Pois poucas horas após o movimento dia sem impostos nos combustíveis, a Petrobras anunciou redução nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias. Especialistas, no entanto, apoiam a política da estatal, que equalizou os preços cobrados internamente no Brasil com aqueles praticados nos mercados internacionais. Para eles, se o governo tenta de alguma forma controlar o preço, normalmente isso causa prejuízo à empresa produtora de petróleo. E, se há um repasse integral dos preços, aí são atingidos os setores consumidores do combustível. É uma situação de difícil solução porque sempre vai ter um lado que vai sofrer mais, alertam os especialistas em energia. No Brasil, é impossível falar de petróleo sem pensar na Petrobras, estatal criada na década de 1950 após o movimento O petróleo é nosso. A Petrobras é a maior referência na área. É ela quem define o preço no mercado brasileiro, pelo seu poder prático de monopólio, mesmo que se possa ter outras distribuidoras, ela tem um tamanho que lhe dá um certo poder monopolista. Então, vamos continuar buscando postos com preços menores, mas, normalmente, tendo que pagar com cartão de débito ou em dinheiro à vista. É a lei do mercado. E contra o mercado, não há poder que o supere. Pelo menos nos combustíveis nossos de cada dia.

Fonte: Jornal do Comércio

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