Novo padrão de qualidade já eleva custo de gasolina importada

 quinta, 30 de julho 2020

Novo padrão de qualidade já eleva custo de gasolina importada

Com a obrigação de vender gasolina de melhor qualidade a partir da próxima segunda (3), importadores de combustíveis estão pagando, em média, R$ 0,07 por litro a mais em suas compras no exterior, o que deve refletir em aumento de custo para o consumidor.

Nesta quarta (29), a Petrobras informou que suas refinarias já produzem o combustível com padrões de qualidade previstos para entrar em vigor apenas em 2022, antecipando meta estabelecida pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

As novas especificações da gasolina brasileira foram aprovadas em janeiro, com o objetivo de impedir a venda de combustível de menor qualidade. Petrobras e a ANP alegam que eventuais aumentos de preço devem ser compensados por melhora no rendimento dos motores.

A mudança no padrão afeta mais a parcela do produto que é importada, já que a Petrobras vem produzindo desde o início do ano de acordo com as especificações que se tornam obrigatórias nesta segunda. Em maio, segundo a ANP, 20% do mercado brasileiro foi abastecido por gasolina comprada fora do país.

As novas regras estabelecem limites mínimos de massa específica mínima e de octanagem do tipo RON (indicador para a resistência a detonação em motor com giro baixo) e foram definidas em duas etapas: primeiro, a octanagem RON passa a ser, no mínimo, de 92. Em 2022, o piso passa para 93.

A Petrobras informou, porém, que todas as suas refinarias já produzem o combustível com a octanagem RON 93. "Ajustamos nossos processos de refino e estamos prontos para antecipar o padrão de qualidade previsto para 2022", disse a diretora de Refino e Gás Natural da estatal, Anelise Lara.

Segundo a estatal, o novo padrão dificulta fraudes na gasolina, combatendo a adulteração com solventes e nafta (um derivado de petróleo usado pela indústria petroquímica) de baixa qualidade. A empresa não detalhou qual o impacto da antecipação da meta no preço do combustível.

Desde maio, a Petrobras promoveu nove reajustes no preço da gasolina, movimento que acompanhou a recuperação das cotações internacionais do petróleo após o relaxamento de medidas de isolamento social ao redor do mundo.

O limite de octanagen RON é mais comum em países europeus e asiáticos. Nos Estados Unidos e México, por exemplo, usa-se um indicador chamado IAD (índice antidetonante), que é uma média aritmética entre a octanagem RON e a MON (definida em testes com giro alto).

Até janeiro, a legislação brasileira falava apenas em IAD e octanagem MON. Segundo a ANP, a definição de limites mínimos de massa específica e octanagem RON vai permitir a introdução no país de motores mais eficientes, com menor consumo e menos emissões.

"O ganho de rendimento de 5%, em média, proporcionado pela nova gasolina compensará uma eventual diferença no preço, porque o consumidor vai rodar mais quilômetros por litro", diz a Petrobras, na nota divulgada nesta quarta.

A empresa ressalta ainda que o preço do combustível é definido pela cotação no mercado internacional e outras variáveis, como taxa de câmbio e custo do frete. "Esses fatores podem variar para cima ou para baixo e são mais influentes no preço do que o custo adicional de especificação."

O valor cobrado pelas refinarias da Petrobras equivale a cerca de 30% do preço final da gasolina nos postos. O restante são impostos e margens de postos e distribuidoras. Como reflexo da sequência de reajustes dos últimos meses, o preço da gasolina nos postos vem subindo há nove semanas, com alta acumulada de 10% desde que atingiu o piso de R$ 3,803 por litro. 

Fonte: Folha de S. Paulo