Vamos dividir os aparelhos conhecidos como economizador de gasolina e de etanol em duas categorias: os que se compram no mercado de peças, que anunciam “até 20% de redução de consumo” mas que não funcionam. E os dispositivos colocados pelos próprios fabricantes, que realmente reduzem o consumo. Fácil entender que, qualquer sistema desenvolvido por mecânico ou técnico que funcionasse de fato, despertaria imediato interesse do fabricante. Que investem uma “grana preta” e se consideram realizados ao obter uma redução de 2% a 3% no consumo.

Falso economizador de combustível
O economizador de gasolina ou de etanol encontrado no mercado, em casas de peças ou pela internet pode ser de três tipos. O primeiro apregoa ampliar a faísca na vela, resultando em melhor combustão da mistura ar/combustível. É colocado no sistema elétrico do motor, em geral nos cabos das bobinas ou velas.

O segundo interfere na mistura ar/combustível. Há os que contam com um magnético poder de “orientação molecular das células do combustível” e dizem provocar um aumento do poder de combustão. São dispositivos magnéticos colocados em volta das mangueiras de combustível ou no tanque. Outras “mágicas” preferem interferir no ar que será misturado ao combustível. Criam dispositivos que provocam uma espécie de espiral antes de chegar ao filtro, otimizando (é como explicam…) a eficiência da combustão.

Outro economizador de gasolina e etanol, mais recente, aproveita a energia contida nos vapores exalados pelo tanque de combustível que seriam normalmente dirigidos ao canister, um filtro que elimina sua nocividade. A mágica, neste caso, é de dirigi-los diretamente ao motor, enriquecendo a mistura. Com dois problemas: alteram a relação (estequiométrica) entre ar e combustível e podem provocar uma explosão.

Tem outra que já mereceu até reportagem de tevê: coloca-se um tanque de água e, por uma eletrólise, obtém-se o H2 (hidrogênio), um combustível dirigido ao motor. Reduz efetivamente o consumo mas a conta não fecha, pois exige da bateria uma energia maior do que a fornecida ao motor…

Finalmente, a sofisticada interferência no mapeamento da central eletrônica. Pode-se empobrecer a relação ar/gasolina ou mudar o avanço e ponto de ignição. Com riscos de aumentar a temperatura de combustão e danificar pistões, aumentar o índice de emissões e outros.
A rigor, o motor permite milhares de ajustes em sua operação. A engenharia da fábrica investe milhares de horas em dinamômetros, simulações e testes para estabelecer máxima eficiência. É, sim, possível interferir nos parâmetros estabelecidos pelo fabricante para aumentar desempenho ou reduzir consumo. Mas sempre se paga um preço, pois ganha-se cá, mas perde-se acolá.

Tem sempre um “professor pardal” inventando uma maracutaia. A maioria testada pelas fábricas, laboratórios e revistas especializadas, sempre com o mesmo resultado: nenhum ou perto de zero.

Economizador de gasolina e de etanol real
Turbinas – Número cada vez maior de motores são turbinados pela fábrica para aumentar desempenho sem interferir no consumo. Não tem “mágica”: aumenta-se a eficiência térmica ao se aproveitar uma energia desperdiçada no motor aspirada, a dos gases de escapamento.

Stop/Start – Sistema eletrônico que desliga e liga automaticamente o motor quando o carro para por qualquer motivo. Chega a reduzir consumo e emissões em até 15% no trânsito urbano.

TPM – Sistema de monitoramento da pressão dos pneus já obrigatório em alguns países. Importante para a segurança e para o consumo, pois avisa ao motorista (com luz de alerta) em caso de redução acima de 20% na calibragem recomendada. O pneu “murcho” reduz a estabilidade, capacidade de frenagem e aumenta consideravelmente o consumo pois o motor tem que vencer um atrito maior entre pneu e asfalto.

Manutenção – Sensores indicam problemas operacionais do motor e seus periféricos, acendendo luzes de alerta no painel. Além deles, itens de manutenção devem ser observados pelo motorista, como troca de velas, cabos e outros. Fonte: R7/ Autopapo