Após quatro anos de prioridade à exploração e produção de petróleo no pré-sal, a Petrobras decidiu retomar investimentos em energias renováveis. Ontem, a estatal anunciou ter assinado memorando de entendimentos com a empresa francesa Total, com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto nos setores de energia solar e eólica no Brasil. O diretor de Estratégia, Organização e Sistemas de Gestão da Petrobras, Nelson Silva, reconheceu que, nos últimos anos, a companhia concentrou suas atividades no setor de óleo e gás para melhorar a situação financeira da estatal. A empresa sofreu forte impacto financeiro com as revelações das investigações da Operação Lava-Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo. Mas, no Plano de Negócios de 2018 a 2022, já estava previsto que a Petrobras voltaria a investir em fontes renováveis, de energia limpa, tendo em vista a tendência mundial para uma economia de baixo carbono, aliado ao grande potencial dessas fontes existente no Brasil: — Não demos um passo atrás em termos de projetos de fontes renováveis, mas precisávamos fazer frente à situação financeira mais delicada. No plano de negócios, já começamos a olhar as perspectivas de longo prazo. Silva disse que a ideia é identificar oportunidades, preferencialmente em áreas terrestres que a Petrobras tem no Nordeste. Atualmente, a estatal tem participações em quatro projetos de energia eólica no Nordeste num total de 104 megawatts (MW) de capacidade. A empresa tem ainda uma unidade de pesquisa e desenvolvimento de energia solar fotovoltaica de 1,1 MW no Rio Grande do Norte.
Especialistas consideraram positiva a decisão da Petrobras.
— É uma tendência mundial das grandes petroleiras se voltarem para energias renováveis. É positivo a Petrobras começar projetos de longo prazo — disse o advogado Carlos Maurício Ribeiro, especialista de óleo e gás do Vieira, Rezende Advogados. DE OLHO EM LEILÕES DE ENERGIA Já o advogado Alexandre Calmon, do escritório Tauil, Chequer, elogia a iniciativa, mas alerta que os projetos têm de ser vistos como negócio rentável. Silva, da Petrobras, afirma que energia solar e eólica representam apenas 8% da matriz energética brasileira, mas que deverão atingir 20% em 2026. O diretor não descartou a possibilidade de as duas empresas participarem de leilões de energia de fontes renováveis. Para Rodrigo Leite, da Leite Roston Advogados, transformarse em uma empresa de energia é um caminho natural para petroleiras. Segundo o diretor da Petrobras, os investimentos só serão definidos quando os projetos forem identificados. Fonte: O Globo